O Prisioneiro da Árvore - Crítica no blogue Ler y Criticar

Finalmente chego ao fim desta saga que deixou a sua marca na fantasia, e o que posso dizer? Totalmente recomendada. Este 4º livro foi, provavelmente, o que gostei mais. No geral, a qualidade do livro não está acima do que foi apresentado no resto da saga, aliás, os quatro livros apresentam uma qualidade similar, não existindo nenhum que esteja um degrau acima, mas há detalhes neste livro que fazem a diferença.

Durante os quatro livros vimos a invasão do cristianismo na mente das pessoas e vemos o olhar feminino, que marca a saga, e que torna o enredo menos à base de músculos. Este, sendo o último livro, é também aquele em que as personagens, agora bastante idosas, questionam e vêm o seu próprio fim. Neste aspeto a narrativa é forte ao explorar como pessoas que dedicaram a vida a uma causa, questionam no fim se algo divino está realmente a observar e se eles fizeram a vontade de algo superior.

A autora não se limitou a acabar a história. Deu-lhe um significado profundo sobre o qual todos os leitores devem ponderar, e cada um encontrará a sua explicação. O fim é realmente bom, com uma visão muito própria, mas não é o fim que marca este livro, mas antes o caminho até esse fim. A forma como a autora explora o ódio entre religiões está muito bem conseguida e fez-me ficar cada vez mais envolvido desde o primeiro livro até este, sendo que este último é onde esta raiva é mais explorada e tem resultados mais drásticos.
Com um final onde alguns pontos ficam por explicar, este livro apresenta um ritmo mais lento do que a restante saga, pois é essencialmente um livro sobre reflexão de cada personagem e também sobre a religião. As suas personagens continuam fantásticas e todas elas são movidas pela esperança que a fé oferece, seja qual for a fé. O enredo continua a tocar em pontos "difíceis", como adultério, traição, incesto... mas torna-se um livro muito mais filosófico do que esperava, e gostei muito desse indireto olhar, principalmente porque o próprio livro não obriga a uma reflexão, mas ela está lá.

Numa saga com esta qualidade, as grandes personagens não podem faltar, e aqui há para todos os gostos. Umas que se odeiam, outras que admiramos, outras que nos surpreendem. No meu caso, várias ficam na memória mas nenhuma tem o impacto de Morgaine (Artur, com todos os seus dilemas está muito perto de ser tão memorável). A saga segue a evolução desta mulher, e com ela se desenrola. O seu crescimento enquanto personagem principal é fantástico e coerente (todas as personagens importantes apresentam coerência nesta saga), e é com ela que este livro se torna o meu favorito na saga ao abordarmos o caminho que se percorreu pela religião, e os resultados estão à vista.

MZB criou uma saga diferente e com qualidade. A sua visão singular e a facilidade com que me fez gostar ou odiar uma personagem,  demonstra o talento da autora. A saga é muito equilibrada, o que é raro, e este livro não se limita a explicar como tudo acaba. Dá-nos antes a hipótese de pensarmos sobre ela e de a compararmos à realidade. É verdade que é uma saga mais virada para o público feminino, mas não é exclusiva, e para quem gostar do género, com facilidade irá perceber o porquê do enorme êxito desta saga nos últimos anos. Muito bom!

Publicado em 6 Maio 2013

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