O Prisioneiro da Árvore - Crítica no D311nh4

E assim termina uma das melhores coleções que tive oportunidade de ler. Sabem aqueles livros que ficam mesmo bem numa estante para a posteridade? Aqui está. Não saem de moda; o tema é de interesse universal e com uma história já de fama longínqua. Há quanto tempo se escreve sobre o Rei Artur e os seus cavaleiros?

Então, o que tem esta série de especial?

Em primeiro lugar, quem gosta da temática, procura sempre ler mais. Nem que seja para ver a perspetiva que foi apresentada.

Porém, MZB enfatiza o lugar das mulheres nesta lenda. Conhecemos Guinivere, Morgana e Morgause como personagens secundárias. Percebemos a importância delas na história, mas nunca antes se tinha entrado na perspetiva das mesmas. Conhecê-las verdadeiramente, como seres pensantes e manipuladores, não como marionetas da entidade masculina.

Esta obra origina, também, uma enorme reflexão em torno da religião. A fé desencadeia guerras e preconceitos desde sempre e a pergunta reside sobre qual estará mais próxima da verdade? Neste caso, a Deusa ou Cristo.

Em particular, “O prisioneiro da árvore”, sendo o desfecho, tem um tom mais melancólico. A vida e as circunstâncias fintam os personagens e eliminam-lhes a arrogância com que viveram. No fim, há certas atitudes que foram outrora tomadas que parecem não fazer sentido, há vidas que parecem ter-se perdido em vão. A que custo se conspirou tantos anos? A que propósito se complicou a felicidade? Era suposto? Era a mão da Deusa/de Cristo ou era a arbitrariedade humana a ser mesquinha e petulante em relação às escolhas alheias, que vão contra o que acreditámos?

Começa-se esta saga com um prol de personagens dominados pela soberba, cheios de si, donos da razão. Jovens abstinados e prontos a morrer por uma causa. Aqui, no fim, tudo é tão díficil de perceber. Há uma névoa que prova que o mundo não é a preto e branco e que não pode nunca haver certezas sobre a vontade divina, porque o homem não tem esse desígnio.
Adorei. Vou mantê-los comigo para as futuras gerações. Acredito piamento que daqui a 20 anos ainda serão lidos com o mesmo prazer com que os li.

Recomendo mais do que vivamente.

Publicado em 26 Janeiro 2015

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