O Que Ela Deixou para Trás ou a simbologia do medo

Eis um livro que está cheio de medos. Assim é o simbolismo de O Que Ela Deixou para Trás, de Ellen Marie Wiseman. Aborda um asilo de loucos, um manicómio, e todos os outros nomes politicamente incorretos para as assustadoras instituições que albergaram os pobres doentes (e sãos) de outras eras. No romance de Wiseman, a alegre Clara Cartwright é enviada para «um lar para pessoas nervosas» de modo a ser castigada por ter recusado um casamento arranjado pelo pai. Enquanto ela lá está, dá-se o crash da Bolsa de 1929 e o seu pai perde quase toda a sua fortuna. Quando ele não pode pagar mais pelo cuidado da sua filha, é obrigada aos 18 anos a ir para um hospício. Há aqui a exploração de um medo primitivo: ser presa e isolada do mundo e não ter qualquer controlo sobre a tua vida. É o pior tipo de lugar para Clara, sem nenhuma proteção contra os tratamentos de choques elétricos e os comas induzidos que se prolongam por semanas. O romance avança e recua no tempo. A outra protagonista, Izzy Stone, de 17 anos, fi ca devastada quando a sua mãe dispara sobre o seu pai enquanto este dorme. Vai para a prisão e Izzy recusa-se a visitá-la. Os seus pais de acolhimento, um diretor de arte e uma curadora, envolvem-na num projeto, em que tem de selecionar e registar velhas cartas e diários do hospício onde Clara viveu, já encerrado. As cartas encontravam-se num baú deixado para trás por uma antiga paciente.
Ler a história de outros — e claro que lê sobre a história de Clara — muda a sua vida indelevelmente. Izzy apercebe-se de como as suas histórias estão relacionadas e força-a a reavaliar tudo o que ela pensava que sabia sobre si própria. Subitamente Izzy depara com perguntas sem resposta, não só sobre a mulher que escreveu o diário, mas também sobre os atos da sua mãe. 
Publicado em 17 Setembro 2015

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