O Regresso do Assassino - Crítica no blogue Ler y Criticar

Fitz regressa numa nova saga e as expectativas são altas. No meu caso, a vontade de ler estes novos livros era ainda maior, pois adorei o final da saga anterior (um sentimento que nem todos os leitores partilham), graças ao facto de Fitz ser o Sacrifício.

Muitos anos se passaram e as primeiras páginas são o reencontro de Fitz com antigos amigos, enquanto a autora nos vais mostrando o que se passou neste salto temporal entre as duas sagas.
Hobb é, uma vez mais, fantástica a explorar sentimentos e aprendizagens, e este livro fica marcado pela grande mudança de Fitz. Se na saga anterior víamos uma personagem com grande tendência para a imaturidade e muito improviso, agora temos um Fitz muito mais maduro, e esta diferença suporta todo o livro, dando-lhe uma grande coerência e tornando o livro mais maduro e agradável de ler.

Claro que voltar a ler sobre algumas personagens que adoramos, é excelente. Fitz, Bobo, Olhos-de-Noite, Breu... estão todos bem conseguidos e entramos na história facilmente, com as personagens já bem definidas e sem necessidade de introduções, e como tal, esta saga será muito melhor para quem tenha lido a anterior. Hobb parte de imediato para o desenrolar da história e começamos aos poucos a perceber todo um novo "quadro" político e social. Este é um dos grande trunfos deste livro. Hobb não se limitou a criar uma nova história num mundo já existente: ela redefine esse mundo, ajustando-o ao enredo, e algumas das questões que ficaram por esclarecer na saga anterior, são agora respondidas, dando início a novas questões! Esta sensação de que o mundo não ficou estático, mas também evoluiu, é bastante importante nestas situações.

O ritmo do livro é talvez o seu maior ponto negativo, pois na grande maioria das páginas, é lento (apesar de não tanto como no último livro da saga anterior) e por vezes sentimos que o livro é demasiado grande e se arrasta. É verdade que nunca foi maçador, mas nota-se o grande objetivo da autora em baixar o ritmo para nos "mostrar" mais sobre a Manha. Este aspeto dá a noção de toda uma preparação para os livros seguintes, e acredito que esta saga seja baseada nesta preparação que é dada ao leitor. No entanto gostava que o livro fosse mais "rápido" e acredito que alguns leitores fiquem desiludidos com este aspeto.

O enredo é muito bom, apesar de a trama central ser previsível tal como as ações de algumas personagens, mas nada disto retira a qualidade ao livro. Hobb melhora todas as suas personagens, torna-as mais reais e desenvolve bastante a ligação entre Fitz e o seu lobo, sendo esta ligação o grande trunfo do livro. Pelo meio há alguns momentos marcantes e que irão definir o futuro da saga, e admiro a autora pela sua coragem.

Resumindo, no geral este livro apresenta mais qualidade que os anteriores, notando-se até que a autora está cada vez melhor na forma como transmite certas sensações. Este é o meu livro preferido das histórias de Fitz, e se para alguns poderá ser desilusão, para mim este livro é um fantástico início de saga, da qual não poderia já pedir todas as respostas nem toda a ação que terá de ficar para os livros seguintes. Este livro é o início e faz o seu papel na perfeição, mas o leitor terá de encarar esta obra como o início de algo e não como uma continuação!

Podia falar muito mais sobre as personagens, forma de escrita ou sobre as expectativas que tenho, mas vou esperar pelos próximos livros. Para já digo-vos: gostei muito, mesmo muito, e recomendo-o totalmente a quem apreciar este género... e assim que tiver oportunidade, voltarei para continuar!

Publicado em 20 Dezembro 2012

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