O Vírus do Apocalipse - Crítica no blogue Menina dos Policiais

Antes de mais, quero agradecer à editora Saída de Emergência pela possibilidade de ler este livro. Mal soube da sua publicação, fiquei ansiosa com a sua leitura! Como sabem, sou grande fã desta dupla de escritores e da personagem que criaram, Pendergast. No entanto, O Vírus do Apocalipse é completamente independente da saga do famoso detective. Desde as personagens e à própria trama, as diferenças entre este livro e os que conhecia anteriormente da dupla, são colossais.
De facto, a história vai muito além de um mero thriller, aproximando-se do género sci-fi, o qual tem vindo a interessar-me recentemente. Como a sinopse deixa antever, é uma história com contornos científicos, o qual muito me agradou por ser precisamente da área. Confesso que sempre me fascinou o mundo da microbiologia e o da virologia, embora tenha que admitir que me deixam apreensiva principalmente as doenças virais. Aliás, quem não receia?
Tendo um ponto de partida, por si só já assustador, Preston e Child desenvolvem os limites daquela que poderia ser uma apocalipse fundamentada num vírus criado em laboratório, mais mortal do que os vírus que conhecemos actualmente. As descrições das consequências da incubação deste no homem são no mínimo horripilantes e não me recordo de haver uma pormenorização desta natureza nas tramas com Pendergast.
A meu ver, o livro tem um moroso arranque, fundamentando a experiência de Guy Carson no complexo de experiência e justificando com sólidas bases científicas, a actividade experimental que visa em Mount Dragon. Ainda assim, a sensação de "Algo de muito errado vai acontecer" permanece constantemente.
Quer-me fazer parecer que terá sido rica a pesquisa por parte dos autores (não esqueçamos que Preston está ligado ao mundo dos museus e Child graduou-se em literatura, salvo erro, áreas um pouco distantes da engenharia genética). Por outro lado, os autores tentam desenvolver as personagens que trabalham no complexo, um grupo heterogéneo de cientistas com especializações diferentes.
O que me chocou, foi a veracidade que os autores deram à narrativa, justamente pela constante justificação científica que está por detrás. Por esta natureza, penso que as tramas protagonizadas por Pendergast não conseguem ser comparáveis a este Vírus do Apocalipse.
Outro pormenor que acho importante de realçar, é que este livro não é de todo recente. Dado que a temática da evolução tecnológica é fulcral e tendo em conta que a tecnologia evoluiu e muito na última década e nos mais diversos ramos incluindo o da genética e internet, acredito que terá sido concerteza maior o choque e a surpresa quando a publicação deste livro que foi em 1996 do que ler agora em 2013.
Penso que as personagens estiveram à altura da trama. À partida pouco emocionais, altamente profissionais dos quais se destaca Carson. Embora com algumas reservas entre os cientistas, técnicos e pessoal relacionado com a segurança, ele está empenhado neste projecto aparentemente desafiador. Para mim foi fácil a ligação com Carson e Susana Cabeza de Vaca (no que estariam a pensar os autores para dar um nome como este? Ninguém merece, nem mesmo personagens fictícios!)
A própria conjectura do livro, deixaria antever aquele final. Nada que me surpreendesse, portanto, estando à altura do próprio desenvolvimento da história. Que eu saiba Douglas Preston e Lincoln Child ainda não arriscaram na escrita de uma história dentro do mundo da distopia.
Um livro que recomendo aos fãs de tramas relacionadas com a biotecnologia e teoria cibernética! Um outro lado de Douglas Preston e Lincoln Child que desconhecia, mas que prova que a dupla é versátil na escrita das suas histórias. Gostei!

Publicado em 14 Junho 2013

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