O Voo da Águia - Crítica no Ler & Criticar

Este 2º livro da saga da Águia e o autor já me "agarrou", mas já lá vamos. Em primeiro lugar é preciso dizer que em termos de qualidade este livro está ao nível do primeiro mas é mais apelativo porque consegue aprimorar as personagens mais importantes.
 
No início o enredo é mais denso e mais parado, devido a várias batalhas e o autor consegue descrevê-las com grande qualidade, sendo provavelmente o momento em que o autor consegue mostrar maior qualidade: nas descrições das batalhas. Existe uma constante atenção ao detalhe que nos faz imaginar a batalha como um todo mas também individualmente ao vermos o que certa personagem está a sentir no momento. Tudo isto sem nunca se tornar numa narrativa demasiado exaustiva.
 
Apesar de ser nas batalhas que sentimos a qualidade do autor, é nas personagens e no enredo que o autor me prendeu até ao fim. Este livro é, em muitos aspetos, o concluir do primeiro livro, principalmente na exposição das personagens. Cato, Macro e Vespasiano estão agora totalmente definidos e nota-se que as suas ações futuras terão aqui a sua base. A intriga está finalmente montada e o leitor vê-se envolvido num virar constante de páginas porque o autor nunca torna nada demasiado denso. Ainda nas personagens, Cato e Macro têm o maior peso do enredo e o facto de serem totalmente opostos ajuda à criação de momentos que levam o leitor a pensar mas também a aproximar-se destes dois homens. Mas são as personagens verídicas que me fazem continuar a ler esta história.
 
Não sendo um profundo conhecedor da história do Império Romano, sei o básico para conhecer o destino e outros factos de algumas personagens, com Cláudio, Vitélio e Vespasiano a terem maior destaque. Nestas três personagens o autor consegue uma caracterização muito boa e que em certos momentos se enquadra perfeitamente com o que virá e que já conhecemos da história. 
 
No que diz respeito ao enredo, Scarrow mantém o mesmo estilo apesar de dar protagonismo a novas personagens que nos afastam um pouco da intriga principal. A entrada de Cláudio explora muito bem o quanto milhares de vidas estão dependentes de um único homem, seja ele competente, ou não. Mas a mais valia está em dois bons acontecimentos e na introdução de Niso, personagem que terá os melhores diálogos do livro e que desperta a história para os dois lados da questão principal, que é a invasão. Este foi um dos detalhes que mais apreciei. Roma sempre incutiu aos seus soldados que era a luz do mundo e o resto apenas bárbaros ou inferiores, e raramente vemos uma obra tratar os dois lados da questão: como Roma se vê e como o resto do mundo vê Roma. Espero que o autor continue a explorar estas questões nos próximos livros.
 
Novamente Scarrow apresenta um livro que se lê muito bem apesar de não ser fantástico. A leitura é sempre muito agradável e criei afinidade com as personagens. Estou bastante curioso para ver como o autor vai explorar os próximos acontecimentos que marcaram o Império e como ligará certas personagens a esses momentos. Scarrow convence-me a continuar, acreditando que o melhor ainda está para vir. E como referi antes, a forma como descreve as batalhas é muito boa. Para quem gostar de uma leitura rápida sobre o Império Romano, esta saga parece ser uma boa aposta apesar de ainda estar muito no início. Mais opiniões em breve!
Publicado em 26 Setembro 2013

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