Os Pilares do Mundo - Crítica no blogue Uma Biblioteca em Construção

Comprei este livro assim que saiu para as livrarias, mas só agora consegui pegar nele. Não foi por falta de tempo e muito menos por não ter vontade para o fazer. Anne Bishop já me conquistou há muito e por isso, à partida, pegar numa nova história dela é algo que me marca. Por isso mesmo, começar um novo livro desta autora é um misto de vários sentimentos que me acabam por fazer adiar esse momento (manias estranhas que nem eu sei como explicar). O que importa é que finalmente decidi entrar neste novo mundo que, confesso, em nada me desiludiu.

Os Pilares do Mundo é o primeiro volume de uma trilogia que tem fortes inspirações na época medieval, na mitologia celta e até greco-romana. Neste universo, as barreiras que separam o mundo dos humanos a Tir Alainn são ténues, mas algo está a mudar, o que deixa alguns Fae em alerta. Através de um narrador omnisciente, ficamos a conhecer em profundidade personagens complexas e intensas.

Na realidade humana, acompanhamos Ari, uma jovem com quem é fácil criar empatia. Desprezada por todos, esta menina mulher ainda um pouco ingénua não deixa de dar o que tem de melhor. Respeitadora das antigas tradições, é uma bruxa que venera a Natureza e que atrai tanto humanos como Fae. Ao longo da narrativa, ficamos a conhecer os desejos do seu coração, sentimos a solidão em que vive e as suas angústias. Mas apesar das muitas dificuldades em que vive, é interessante ver que esta bruxa continua fiel a si própria proporcionando momentos engraçados quando está com um humor mais rezingão.

Ainda dentro desta realidade, conhecemos Neall, um rapaz de bom coração, que cresceu em casa de uns familiares afastados que o exploram e que se revela de uma natureza curiosa. Igualmente, e como já é habitual em Anne Bishop, ficamos também a par do lado mais negro da narrativa. Desta vez, esse lugar é de Adolfo, um Inquisidor-Mor conhecido como o Flagelo das Bruxas. Este é um homem que provoca o caos ao acreditar estar a fazer o bem e a autora conferiu-lhe um passado coerente com esta opção de vida.

No mundo dos Fae, somos confrontamos com personagens que possuem fortes inspirações a religiões pagãs e até na época Clássica. Inicialmente, somos confrontados com Dianna e Lucífero, dois irmãos que representam elementos opostos. Junto a esta dupla surge Lyrra, a Musa, e Aiden, o Bardo, que ajudam na busca de informação e que, com o tempo, se revelam cruciais para o futuro de Tir Alainn. Contudo, a personagem Fae que mais me cativou acabou por ser a incompreendida Morag. Senhora da Morte, é temida por todos mas acaba por ser possuidora de uma visão mais geral da realidade, muito graças à convivência com os dois mundos. Solitária e sábia, é uma chave importante para a resolução do mistério que assola Tir Alainn. É curioso ver que, entre todos os Fae, a Senhora da Morte é a menos egoísta e mais altruísta.

Apreciei bastante as personalidades dos Fae. Anne Bishop não caiu na tentação de tornar estes seres em personagens perfeitas, conferiu-lhes as características que a tradição enuncia e explorou-as de um modo bastante cativante. Se ao início dá a entender algo, a autora decidiu optar pelo crescimento pessoal do que pela fantasia de uma história de amor perfeita.

Como já vem a ser habitual nas obras desta autora, o papel das mulheres na sociedade volta a estar em evidência. Numa sociedade em que a mulher é posse dos pais ou do marido, é com estranheza que se observa uma que seja independente. Ainda para mais, se for uma que não siga os valores da maioria e que tenha opinião própria. Os abusos, maus tratos e inferiorizarão da mulher fase ao homem são explorados na imposição de uma sociedade patriarcal. Também os seres mais pequenos, que parecem não possuir poder ou importância revelam-se capazes de ser fator de mudança.

A escrita é bela e embala a leitura. A história agarra desde a primeira página e faz o leitor alegrar-se com as conquistas, temer os perigos e suspirar com a beleza das relações descritas. Os Pilares do Mundo é um livro que pode ser lido em solo, já que encerra algumas questões, mas que acaba por entusiasmar para a continuação da leitura da trilogia. Eu fiquei rendida.

Publicado em 3 Maio 2013

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