Porque Somos Um Só - Crítica em As Leituras do Corvo

Tudo ia bem na relação entre Ian e Francesca e o futuro era uma promessa entre ambos. Mas tudo mudou com a revelação das verdadeiras origens de Ian - inclusive a sua consciência de quem é. Guiado pela necessidade de respostas, ele deixou tudo para trás, sem explicações nem despedidas, nem sequer a indicação de um lugar onde o encontrar. E agora, seis meses depois, Francesca ainda está a tentar lidar com o abandono, quando descobre que a sua intervenção é necessária na empresa de Ian - cuja liderança ele lhe deixou. O regresso ao território dele é uma experiência dolorosa, mas aqueles que lhe são próximos estão mais que dispostos a abrir-lhe os braços. Mas há também um perigo à espreita nas sombras e Francesa pode não estar segura. Ainda que talvez seja precisamente esse o impulso que falta... para que Ian possa encontrar o caminho de volta.
Sendo Porque Somos um Só o terceiro livro desta série, e o segundo com os mesmos protagonistas, um dos seus pontos fortes é a familiaridade que, quase de imediato, se sente com as personagens, principais e secundárias. Mas esta proximidade é também a base da verdadeira força deste livro. É que, mantendo uma presença considerável de sensualidade e erotismo, há também uma história para lá disso, e, neste caso, uma história bastante mais vasta que nos livros anteriores. Há, portanto, um maior equilíbrio entre as partes da história, o que torna a leitura especialmente cativante.
E muito sobressai de interessante, desta história para lá da relação. Desde logo, o passado de Ian, cujos novos desenvolvimentos permitem não só uma maior compreensão da sua natureza, mas inclusive dos dilemas que o consomem. Além disso, essa descoberta do passado é, por si só, uma jornada interessante, com as respostas encontradas a abrir espaço para novos caminhos a explorar. Até porque a série não acaba aqui.
Quanto à ameaça que paira sobre os protagonistas, perde-se um pouco pelo facto de ser um pouco óbvia para os leitores, não o sendo, contudo, para as personagens. É que certos comportamentos e situações são bastante claros nas intenções subjacentes, mas acabam por parecer passar sem que sejam notados. Ainda assim, esta previsibilidade é amplamente compensada em intensidade de acontecimentos e também no acréscimo de empatia que gera para com as restantes personagens.
E, quanto à relação entre os protagonistas, cresce não só pelo que as experiências modificam na sua relação, mas também pelo afecto que os une aos que o rodeiam. E, no meio de tudo isto, a interacção física acaba ser apenas uma parte de uma relação mais vasta, o que acaba por tornar a história bem mais interessante.
Envolvente, intenso e com um bom equilíbrio entre sensualidade, emoção e um toque de mistério, Porque Somos Um Só apresenta uma história equilibrada e interessante, com uma escrita cativante e cheia de momentos marcantes, na relação entre os protagonistas e não só. Uma boa história, portanto, e uma boa leitura.
Publicado em 21 Janeiro 2014

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