Quanto Tempo Faltará para o Abismo? no blogue O Tempo entre os meus Livros

Autor português que desconhecia, Mário Cordeiro foi uma surpresa para mim. Surpreendida fiquei também com o final, que, não sendo convencional, deixa o leitor pensativo, um pouco acabrunhado até. Pelo menos foi isso que me aconteceu. Já acabei a leitura há alguns dias mas só depois de ter pensado nos personagens e de me ter distanciado deles é que consegui escrever estas linhas...

A morte, a finitude do ser humano, está sempre presente nesta obra. Ora porque as personagens principais se referem a ela, ora porque, um pouco à semelhança de A Rapariga que Roubava Livros,a Morte surge como um ser humano e dispõe-se a falar um pouco dela e de quem ela quer visitar...

António vive com uma doença terminal. Saber isso faz da sua vida um tumulto constante e seus humores variam cosntantemente. A vida para Cataria, sua mulher, também não é fácil. Lado a lado vão construindo um presente que de futuro nada poderá ter, ou pelo menos, sentem que o presente terá os dias contados. Viver na expectativa de uma morte, faz com que os dias sejam no mínimo diferentes. Viver com um amanhã sem grande futuro, gera angústias, sentimentos de solidão e conflitos internos que facilmente geram desentendimentos com quem está ao redor. Quanto tempo fatará para o abismo? Quanto tempo lhe restará? Quanto tempo lhes restará?

Um exímio texto, uma escrita irrepreensível e um esmiuçar de sentimentos com que o autor nos brinda. Tema pesado que nos deixa pensativos, como já referi. Recomendo para quem, como eu, acha que certas leituras são necessárias.

Terminado em 18 de Setembro de 2016

Estrelas: 4*+

Publicado em 28 Setembro 2016

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