Redimida - Crítica em As Leituras do Corvo

Zoey sabe que perdeu o controlo e está disposta a enfrentar as consequências dos seus actos, sejam elas quais forem. Mas longe de todos e sem acesso ao mundo exterior, está longe de imaginar que o caos está prestes a instalar-se e que a sua intervenção é, agora, mais necessária que nunca. Neferet revelou a sua verdadeira natureza e não deixará que ninguém a pare nas suas pretensões a assumir-se como Deusa da Escuridão. Mas, se a única forma de a impedir reside no mesmo poder que deixou Zoey numa situação tão delicada, poderá esse poder ser usado de forma segura? E quão elevado será o preço a pagar para proteger o mundo inteiro?

Último volume de uma longa série em que, como no percurso das próprias personagens, houve momentos altos e episódios menos bons, este é um livro que surpreende precisamente por superar em muito as expectativas que, com o prolongar do enredo e algumas repetições ao longo do percurso, foram baixando um pouco. E supera-as por várias razões.

A mais óbvia das razões é que, ao deixar cair todas as máscaras, as autoras elevam o conflito a um pico de intensidade superior a tudo o que já se viu nesta série. O confronto é agora brutal e sem tréguas e não pode ser nem adiado nem contornado. Há, por isso, uma tensão quase palpável ao longo do enredo, tensão essa que alimenta a vontade em saber mais, quer sobre o que acontecerá a seguir, quer sobre de que forma esses acontecimentos afectarão as personagens.

Outro aspecto particularmente marcante é que, da situação de intensa ameaça em que se encontram todas as personagens, emergem, por fim, as conclusões perfeitas que faltavam para os caminhos dessas mesmas personagens. Aqui, destaca-se, é claro, a situação de Kalona, que, depois de tudo, encontra a conclusão perfeita num momento especialmente emotivo e que reforça, mais até que o conflito em si, a mensagem de bondade e de amor que prevalece na história da Casa da Noite. Mas também para outras personagens, de presença mais ou menos discreta, se abre um caminho para o futuro. Um caminho que, de forma mais ou menos inesperada, acaba por surgir, sempre, como o mais adequado a cada um.

E quanto à protagonista, sobressai ainda um notável percurso de crescimento. Depois de um longo percurso em que as preocupações de Zoey se dividiram entre coisas tão diferentes como salvar o mundo de Neferet e as eternas complicações dos seus vários possíveis namorados, Zoey assume-se agora como a sacerdotisa confiante e madura que sempre esteve destinada a ser. Frágil e vulnerável nos momentos certos, mas sábia e capaz quando necessário, Zoey é agora a protagonista equilibrada de que esta história final precisava. E, por isso mesmo, também um dos vários factores que tornam este último volume especialmente equilibrado e surpreendente.

Envolvente, intenso, com momentos verdadeiramente marcantes e uma conclusão que dá todas as respostas necessárias, sem que nenhuma delas seja demasiado fácil ou forçada, eis, pois, um final que supera todas as expectativas. Equilibrado e surpreendente, este livro é precisamente a conclusão de que esta série precisava. E é isso, acima de tudo, que faz dele um final muito bom.

Publicado em 19 Maio 2015

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