Ritual de Amor - Crítica no blogue As Histórias de Elphaba

Tal como tinha indicado na minha opinião do livro anterior, Irmãos de Sangue, Nora segue um estilo de escrita e enredo com o qual já me sinto familiarizada utilizando, desta feita, um núcleo de seis intervenientes, três masculinos e três femininos, de personalidades atractivas e que acabam por estabelecer uma relação afectiva de amizade e algo mais, respectivamente. E se é verdade que a repetição poderia ser um ponto menos positivo, as aventuras, a acção e as peripécias são tão constantes durante o folhear que, nesta narrativa de entretenimento puro, descomplicado, após final prevalece uma vontade imensa de saber mais sobre todos os que a habitam.
A história continua a decorrer em Hawkins Hollow onde a loucura reina, mas convenhamos que assim o é há 21 anos. No entanto, desde a chegada de Layla, Quinn e Cybil que a situação tente a piorar de dia para dia, com Twisse - um demónio secular desperto pelo pacto de sangue feito por Fox, Caleb e Gage na infância -, a instalar uma insanidade generalizada. Violência, ilusões macabras e tensão constante são o dia a dia destas seis personagens que tentam descobrir como parar esta força do mal mas, porque nem tudo é mau, entre os muitos sustos com que as personagens se deparam, a insensatez da paixão em tempos de “guerra” vai atenuando a dor e conferindo leveza ao ambiente onde se pressagia a morte - que o digam Layla e Fox, o segundo casal atingido pelo cupido nesta trilogia. Entre solucionar o puzzle que os levará à vitória e descobrir os desígnios do amor, tudo pode acontecer e, quiçá, não estará na união a resposta para a salvação da mítica cidade Hawkins Hollow e dos seus peculiares habitantes.
Gosto, gosto mesmo das singulares personagens criadas por esta autora. Sei que são excessivas face à realidade e talvez isso, possivelmente, demasiado especiais, mas ainda assim é bom que características como a honra, honestidade e integridade - qualidades humanas cada vez mais raras -, estejam presentes na ficção para nos recordarem a importância da sua existência.
Fora os traços gerais que acabei de citar, partilhados por quase todos os intervenientes do núcleo principal, Layla o Fox têm distintivos pertinentes que os marcam em relação ao casal anterior, Caleb e Quinn. No caso de Layla, sendo a mais introvertida do grupo, acaba por ser tímida e ter dificuldade em lidar com o que sente, algo que alia a um perfeccionismo nato e ao medo de arriscar. Já Fox é corajoso e tem um íntimo realmente bom, destacando-se pela preocupação constante que tem para com os seus e um passado triste marcado pela perda, o que lhe tratará dificuldades em lidar com uma já de si muito complexa Layla. São um casal muito interessante, mas, confesso, que é uma opinião que tenho por todas as personagens, pares, e, mesmo aquelas que por vezes mostram personalidades mais retorcidas, como Gage, é impossível deixar de as admirar.
Desta vez não me vou alongar sobre a escrita de Nora, algo que já referi em quatro opiniões anteriores de livros seus e que aqui se mantém igual, ou seja, bastante apelativa. Ainda assim tenho de referir a forma como a autora trata as relações humanas e afectivas, bem como todas as emoções a que vamos assistindo. O laço criados entre o grupo e a forma como este vive medos e alegrias é excepcional, algo que aliado à forma como estão expostos os pequenos e os grandes prazeres comuns dá à ficção uma credibilidade e palpabilidade que nos faz usufruir em pleno da sua leitura.
Em relação ao fantástico, a sua ligação aos intervenientes (sim, tudo gira em torno das personagens), é fascinante, sem ser demasiado exaustiva, e está exposta na medida certa para que se sinta a sua presença constate. O facto é que, entre Deuses, demónios e maldições - mesmo nos momentos assustadores -, esta história continua a ter muito de comédia romântica.
Por tudo o que já disse, fica claro que gostei bastante do trabalho desta autora nesta narrativa, a que se encontra associado um humor delicioso que me fez rir vezes sem conta, mesmo nas situações mais complexas e emocionais. Para mim, Nora Roberts é definitivamente uma prioridade quando pretendo descontrair entre leituras, e sim, ela é previsível, mas sabe sê-lo de uma forma encantadora. Já agora, é impressão minha ou Nora é viciada em Coca-Cola?
Uma aposta assertiva da chancela Chá das Cinco, pertencente ao Grupo Saída de Emergência, que aconselho às leitoras de romances sem qualquer restrição.

Publicado em 14 Junho 2013

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