Sangue do Assassino - Crítica no blogue Ler y Criticar

Sendo a 2ª metade do livro original, este começa logo após o terminar do anterior e, novamente, comecei a ler e não consegui parar. Todas as grandes sagas nos prendem por algum motivo: Harry Potter, pela sua magia, O Senhor dos Anéis pelo seu mundo, A Guerra dos Tronos pela sua complexidade e crueldade. Esta saga do assassino prende-me pelas suas personagens. A facilidade com que me preocupo com Fitz, Bobo, Breu, entre outros, faz-me ler esta saga sem parar, e isto é algo que poucas séries conseguem.

O ritmo da autora continua lento (é talvez o único defeito da saga que seja facilmente visível), mas, se por um lado poderia dispensar algumas das descrições sobre roupas, percebo que a autora nos liga às personagens principalmente pela forma como escreve, mostrando-nos como Fitz pensa, como é humano, como falha, e como volta a pensar. E assim, lentamente, o livro foca-se nos dilemas de cada personagem e na política necessária para se manter o reino unido. Fitz continua uma personagem realista, com todas as suas falhas (apesar de muito mais maduro que na saga anterior, como já tinha dito noutras opiniões), e mantém-se coerente, falhando onde sempre falhou, por exemplo: a sua enorme incapacidade para ler as outras pessoas.

Falando ainda de personagens, e se olharmos para a construção das mesmas, este é o livro em que a grande maioria ficou totalmente construída. Fitz, Bobo, Breu e até Respeitador, atingem neste livro a sua construção final, e a partir de agora, irão seguir com coerência em relação ao que já lemos sobre eles. Este facto nota-se com facilidade, principalmente com Breu, que se revela em pequenos detalhes que, certamente, serão muito importantes no futuro. A construção está lá, e basta apenas revelar.

O final não é marcante, mas abre um leque enorme de possibilidades, e no global, este livro tem um dos melhores enredos das sagas de Fitz. O enredo, tal como se espera de um livro que está no meio de uma trilogia, não tem um caminho definido a percorrer, pois a trama está em desenvolvimento, e acabamos por perceber que este é o preparar de várias situações futuras... e ao ler cada página imaginei o que poderia acontecer nos próximos livros. No entanto, é interessante ver como este livro foca-se muito mais em sentimentos do que em política ou fantasia.

Ao fim de vários livros sobre Fitz, ainda não estou cansado desta saga, e isto é significativo. Aliás, o que me custa é saber que está quase a acabar. Vibro com as personagens, quero justiça para elas, quero saber os seus segredos, e com isto, acabamos com um livro, que apesar de se passar todo dentro de uma cidade, nunca senti necessidade de sair daquelas muralhas e descobrir mais sobre aquele mundo, pois tudo o que precisava, estava ali.

O livro está bem montado e nota-se como a autora nos dá algo para de seguida nos tirar. Houve pelo menos
duas vezes em que a autora, discretamente, muda o rumo de um diálogo para que as perguntas que nós temos, não sejam feitas pelas personagens, e o segredo mantém-se. E nós continuamos a ler sem parar.

Apesar de a anterior saga ter sido muito boa, esta é superior quase em tudo. A escrita da autora está melhor, as personagens também e não sabemos onde tudo isto irá parar, pois o próprio inimigo não está totalmente definido. Juntamos o facto de Fitz viver na sombra e cheio de dilemas, e sabermos que algum dia tudo será revelado, então torna-se impossível parar de ler.

Para finalizar, vejamos o seguinte: a grande maioria das trilogias, incluindo algumas muito boas, seguem um padrão - introdução, desenvolvimento e conclusão. E o que costumamos ter, é um primeiro livro que nos agarra, um terceiro livro que nos fascina, e o segundo livro acaba por ser o menos marcante quando tudo acaba. Se olhamos para os livros originais de cada saga de Fitz, na primeira saga foi o segundo livro original que mais me marcou, o que é raro. Nesta saga também o segundo livro foi mais viciante do que o primeiro... vamos ver o que acontecerá com o terceiro. Para já, altamente recomendado.

Publicado em 23 Abril 2013

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