Sem Medo do Destino - Crítica em Segredo dos Livros

Para mim, logo à partida, este livro tinha muitos pontos positivos. Foi escrito por uma das minhas autoras favoritas, Nora Roberts, tem uma capa espectacular e a sinopse promete romance e suspense. Assim, iniciei a sua leitura com grandes expectativas e, quando isso acontece, o que esperamos e aquilo que recebemos do livro pode não ser exactamente o mesmo. No meu caso, não me senti desiludida. De facto, gostei bastante da história, apesar do protagonista (Ben Paris) conseguir irritar-me com relativa facilidade. Houve uma ou outra altura em que me apetecia entrar no livro e abaná-lo, até ele parar de ser um idiota, mas acho que foi apenas um caso de antipatia à primeira vista, depois acabei por gostar dele. 

Ben Paris é um detective dos homicídios incumbido, juntamente com o seu parceiro Ed, de investigar uma série de assassinatos, cometidos por um Serial Killer, intitulado pelos media de “O Padre”. A arma do crime, um cabeção (aquela espécie de gola branca que os padres utilizam na camisa por baixo da batina) e um bilhete deixado preso ao corpo das vítimas em que está escrito “Está absolvida dos seus pecados.”, contribuem para a designação incomum do assassino. 

À medida que o número de assassinatos de jovem mulheres vai aumentando, sem que seja encontrada nenhuma pista, a pressão dos medida, da força política da cidade onde ocorrem (Washington, DC), da população em geral e da própria força policial torna-se insuportável. Deste modo, os detectives são obrigados a aceitar uma ajuda indesejada, mas que acaba por se tornar decisiva, no papel da psiquiatra Teresa Court. 
Como é comum nos livros da autora, a personagem feminina apresenta uma força interior imensa, uma carreira brilhante e uma independência invejável. Todavia, também apresenta defeitos, neste caso um grande medo de falhar com os seus pacientes e de confiar nos outros. O detective Ben, por seu lado, é um poço de defeitos. Sozinho, ele conseguiu fumar mais cigarros do que todas as personagens literárias e até reais que conheci até hoje juntas. Mais parecia uma chaminé ambulante, isto sem falar na ingestão diária de cafeína. Gosto de café, mas não exageremos... Além disso, era um homem arrogante, demasiado convencido para o meu gosto e uma pessoa um bocado amargurada, mas mais tarde acabamos por conhecer as suas razões. O parceiro de Ben, Ed, conferiu uma espécie de alívio cómico a esta história que apresenta uma carga bastante negativa, sendo impossível não gostar dele. 

Durante todo o livro, vamos tentando desvendar o mistério do assassino. Torna-se muito interessante para nós leitores perceber as motivações desta mente perturbada. A certa altura, tornou-se mais importante para mim perceber a história do assassino do que a sua identidade. A inclusão dos símbolos religiosos, do seu significado para o assassino e a sua doença, confere a esta obra um carácter único e podemos até aprender um pouco sobre o seu conflito interno, antes de conhecermos a sua identidade. 

Há quem ache Nora Roberts uma escritora pouco original, que as suas histórias são mais ou menos semelhantes, romances cor-de-rosa com finais felizes. A essas pessoas aconselho vivamente a leitura deste livro, porque vão ver que não é bem assim.

Publicado em 20 Abril 2015

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