Sombras Radiantes - Crítica no blogue As Histórias de Elphaba

Numa realidade em que o sentimento é ténue e a dor alimenta o corpo, as palavras usam luvas de veludo e a emoção é sugada até à última gota... O medo é permanente e, quando surge a maior das ameaças, até mesmo a filha de um Rei verá o seu inconstante mundo ruir encaminhando-a para o despertar e para a mutação há muito tempo predestinados.

Sombras Radiantes é, sem contestação, o meu livro favorito da série Wicked Lovely publicado até ao momento. Com o desenvolvimento de personagens já conhecidas e uma reviravolta no Mundo das Fadas, foi com imenso prazer que desfrutei de um romance cuidado repleto emoções sombrias e intervenientes que se tornam cada vez mais arrepiantes.
Melissa Mar mantém o mesmo estilo dos livros anteriores no que respeita à escrita que, tal como o enredo, evoluem de forma coesa e admirável atraindo-me cada vez para o seu universo, tremendamente assustador e belo, e do qual fiquei irremediavelmente fã.

Existem incontáveis razões para os apreciadores de fantasia urbana, e não apenas uma geração mais jovem, ficarem enredados em Wicked Lovely mas, na minha opinião, O Mundo das Fadas criado por Melissa é a mais hipnotizante.
Cada ser, cada cenário reproduzido e cada diálogo ou pensamento são descritos com um brilhantismo que acaba por conquistar até os menos crédulos atingindo, este último livro, um patamar surpreendente.

Ani e Devlin formam um par simplesmente magnetizante. Ela é uma guerreira nata que vive no limite emocional, no entanto, contém em si uma sensibilidade muito própria que transparece totalmente para o leitor os seus sentimentos, ora revoltantes, ora enternecedores, criando facilmente uma forte proximidade. Devlin embora mais cru e mais duro, não só consigo mesmo, mas também com todos os que o rodeiam, sofre durante a narrativa um florescimento arrebatador sem no entanto perder os traços que o caracterizam e pelos quais se rege, o dever e a honra.
Rae, uma nova personagem, é na minha perspectiva um ponto de luz na escuridão constante que nos envolve. Esta interveniente tem um papel fulcral contribuindo, ainda que por vezes discretamente, para o destino de uma raça a que não pertence estando-lhe reservado um final admirável.

Outras personagens como Seth, Sorcha, Bananach ou Iri continuam assiduamente envolvidos em todos os desenvolvimentos do enredo e, estando entre os meus eleitos, foi com enorme prazer que os acompanhei e que, no final, me deixaram uma terrível expectativa para saber o que lhes reserva o futuro incerto.

Algo que constatei neste quarto livro da série é que grande parte das mensagens, as mais interessantes julgo eu, se focam maioritariamente nos seus intervenientes pelo que é impossível não me focar nos seus nomes para expressar aquilo que a leitura me transmitiu.
Sendo uma série muito focada em contrariedades, tendo como exemplos mais óbvios a Corte de Verão e a Corte de Inverno, a Irmã da Guerra e a Irmã da Razão, Devlin acaba por surgir como um doseador da ordem e discórdia extremamente interessante, assim como a sua evolução que passa de estabilizador a personagem que necessita de ser estabilizada.

Pormenores como a criação de cenários constante ou caminhantes de sonhos são pontos-chave com especial interesse e é aí que Rae e Sorcha acabam por continuar a conquistar-nos oferecendo expectativa e incerteza a tudo o que de certa forma consideramos como certo pelo que, neste campo, só posso ter uma opinião bastante positiva.

A visão emocional da história fica a cargo de Ani e é ela que, na minha perspectiva, nos possibilita a oportunidade de explorar este lado tão intenso destes seres deveras curiosos reproduzidos pela autora, as fadas. Elas são cruéis e, até mesmo as mais luminosas, encontram-se embrenhadas por um negrume opressivo que domina a leitura. No entanto, a forma como nos é infiltrado o sentimentalismo é feito com tamanha naturalidade que o leitor, ou pelo menos eu, sente que para surgir uma forma de amor esta não poderia ser mais veemente, mais perfeita.

Pessoalmente, recordo-me que no início sentia algumas reticências em relação a esta história mas com o seu progresso tenho de confessar a estima que criei por diversas personagens. Quer seja pela criatividade, ou mesmo pelas características exclusivas, é impossível ir ficando indiferente ao horror, que se transforma em beleza, e à obsessão que tantas vezes caracteriza a paixão que a mim atrai de forma inevitável.

Melissa Mar tem uma imaginação invejável, já provou o seu valor enquanto criadora de enredos e prova, uma vez mais, a sua assertividade para atrair o público. Entranha as suas personagens, seduz com o seu quadro mutável e apela às emoções extremas que invocam em nós extravasamento o que conquistará facilmente um leque de leitores fiel ao seu universo fantástico.

Sombras Radiantes vem iniciar um novo ciclo e trazer uma renovada energia à série Wicked Lovely que se encontra já com quatro títulos publicados em Portugal pela editora Saída de Emergência pertencentes à colecção Bang!, esta é uma aposta que recomendo a todos os amantes do paranormal e aos leitores do género Young Adult com uma natureza mais obscura. Gostei muito.

Publicado em 10 Maio 2012

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