Um livro no qual desaparecemos em busca da redenção

A Mulher Esquecida é uma narrativa dual – a duas mãos, a duas vozes. Rachel, no outono e inverno de 1821, tenta adaptar-se à vida de recém-casada e de retorno a Bath, onde viveu quando era criança e adolescente. O relato de Starling inicia-se em 1803, quando é acolhida pela doce Alice, cujo desaparecimento súbito não só a deixa incuravelmente desgostosa, mas também deixa Jonathan Alleyn à beira do abismo do stress póstraumático depois das experiências horripilantes que viveu na Guerra Peninsular.
Há quatro personagens principais – Rachel e Starling, que são as protagonistas e através das quais vemos a história desenrolar-se, e há também Alice, a moça desaparecida. Muitos supõem que terá fugido com um amante secreto, mas Starling está convencida que lhe terá ocorrido outra coisa – e batalha arduamente para escavar nos escombros das mentiras e descobrir a verdade, trabalhando como criada na propriedade onde crê viver o assassino de Alice. A outra personagem que partilha as luzes do protagonismo é Jonathan, um inválido meio louco, que se manteve isolado na casa da mãe desde o seu retorno da guerra.
Como tem sido habitual, a atenção ao detalhe por parte de Webb, assim como a recriação do cenário histórico neste romance de mistérios, é acutilante e perfeito. Podemos cheirar e saborear a localidade de Bath do século XIX, especialmente a caminhada que Rachel é obrigada a fazer desde o seu humilde lar até ao local do seu novo emprego, ou até ao desgastado lote suburbano onde o seu sogro reside... Conforme se espera de Webb, a história possui camadas com segredos e mistérios tão cativantes que é impossível largar o livro assim que se abre na primeira página.  

Personagens que falam connosco
Tanto Rachel como Starling são protagonistas sólidas – ambas espertas, determinadas e corajosas. Gostei de ambas, apesar de Starling me ter agradado de forma mais constante no livro à medida que a história progredia e eu, consequentemente, melhor compreendia a sua amargura existencial. Além das personagens principais, há também um considerável número de outras personagens memoráveis, muito bem delineadas, com histórias de vida intrincadas no mistério global. Mas aquela que mais fala connosco é Alice, a rapariga desaparecida. Senti que sabia o que lhe tinha acontecido logo nos primeiros dois terços do livro… até descobrir que afi nal não sabia nada... A autora sabe mesmo como brincar connosco ao criar reviravoltas.
Uma das leituras que sobressaem ao ler este livro é considerar que tempos difíceis terão sido aqueles, sobretudo para as mulheres. Assim que se veem casadas, todas as suas propriedades passam a pertencer ao marido e se são prejudicadas de alguma forma, a justiça era, frequentemente, lenta e prejudicial às rés. Também não é uma boa época para se ser pobre, velha ou enferma. O final satisfez-me em absoluto, e mais uma vez Webb levou-me numa viagem rica de acontecimentos e cheia de ação pela qual me sinto profundamente grata.
N O TA 9 / 1 0
Publicado em 21 Outubro 2015

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