Vida Roubada - Crítica no Segredo dos Livros

Este foi um livro que, desde que saiu no mercado, me captou de imediato a atenção. A capa é lindíssima, mas admito que o que fez a magia foi a sinopse.
Gostei de ler que a história ocorria na Coreia do Norte, um local onde a soberania do líder Kim Jon Il era absoluta e os habitantes tinham medo até de respirar sem a sua expressa autorização. Foi essencialmente por este facto que quis ler o livro, embora admita que a capa e a referência ao prémio Pulitzer 2013 ajudaram.

Jun Do é filho do dono do orfanato. Embora tenha família, todos o consideram um órfão, pois o pai não o trata de forma muito diferente das outras crianças que vivem no orfanato. A grande diferença é que Jun Do é que decide onde se deitam as crianças e que porções de alimento merecem por dia. Desde muito cedo, Jun Do acaba por ser reconhecido pela sua lealdade ao pai e mais tarde ao Estado. Cumpre tudo o que o Querido Líder deseja e conhece as canções de louvor ao Regime de trás para a frente. Por causa desta lealdade, começa a trabalhar na descoberta de informações que possam ser úteis para o seu país e mais concretamente para o seu líder, interceptando informações via rádio provenientes de outros locais. Treinado desde cedo na arte de sobreviver à dor, chega a ir num barco de pescadores para interceptar comunicações. É então que a vida de Jun Do muda para sempre. Apaixona-se pela atriz Sun Moon e sofre na pele a crueldade do Querido Líder. Melhor, a crueldade que existe devido ao medo que se tem por Kim Jon Il. Um momento na vida de Jun Do, em que este começa a mudar a sua mentalidade e a considerar que a sua vida e a sua lealdade não são assim tão perfeitas quando isso.

Então dão-se acontecimentos que levam Jun Do a tornar-se no comandante Ga, o marido de Sun Moon e a pessoa mais importante na Coreia do Norte, a seguir ao Querido Líder. Jun Don acaba por se tornar conhecido pela sua dureza e crueldade, juntando-se a Sun Moon e aos seus filhos e mudando as suas vidas para sempre.

Devo dizer que este livro tem diferentes tons ao longo da narrativa. A primeira parte do livro não me conseguiu prender. É apresentado o nosso héroi Jun Do, descrita a sua lealdade e o porquê de esta ter mudado. A narrativa era estranha demais para mim e foi essa parte que mais me custou ler, embora seja uma parte pequena do livro.
Mas a segunda parte, em que ficamos a conhecer o que aconteceu a Jun Do após a sua prisão, é muito mais fluída. Há uma constante mudança entre a história do passado, sobre o porquê de Jun Do se ter tornado no comandante Ga, e o presente, em que Jun Do está a ser interrogado sobre o desaparecimento de Sun Moon. Posso dizer que praticamente bebi cada letra, cada frase. Esta parte da narrativa é mais profunda e retrata as diferentes noções da paz que existe na nação do Querido Líder.

A verdade oficial é mostrada na narração dos acontecimentos que percorre o país, através dos altifalantes espalhados por toda a nação. Ao longo da segunda metade do livro, temos vislumbres desta narração, totalmente diferente da história real, uma prova da opressão que existe no país, uma opressão que não pode ser referida, nem sequer pensada.

Um livro que me surpreendeu pela positiva e que, através de um tom que chega a ser leve, demonstra a opressão e medo que existia na Coreia do Norte na época de Kim Jon Il e que ainda existe. Um livro que me surpreendeu pela positiva e que recomendo a todos.

Publicado em 11 Março 2014

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