Sónia Louro: «Amália não foi uma mulher feliz»

Apesar do muito que já se escreveu sobre Amália Rodrigues e da existência de uma biografia da fadista, Sónia Louro fica surpresa de «como a nossa figura mais amada» continua a ser «tão desconhecida» por parte dos portugueses. Um desconhecimento que poderá ser reduzido com a leitura de «Amália - O Romance da Sua Vida», que será apresentado no dia 3 de Outubro, pelas 18h00, no Panteão Nacional. A apresentação estará a cargo de Filipe La Féria, do vice-presidente da Fundação Amália Rodrigues, Rui Maurício, da autora e do editor da Saída de Emergência, Luís Corte Real. Vanessa Silva - que interpreta, no Teatro Politeama, a pele de Amália no musical em cartaz -, vai cantar «Abandono», «Barco Negro (Mãe Preta)» e «Gaivota», três canções escolhidas pelos «amigos» da página de «Amália - O Romance da Sua Vida» no Facebook.

Porque não escrever uma biografia mas um romance biográfico sobre Amália Rodrigues?
Já existe uma biografia acerca de Amália, mas não existia nenhum romance biográfico, o que não deixava de ser uma lacuna literária. Por outro lado, nunca escrevi uma biografia e não me vejo a fazê-lo num futuro próximo. Prefiro escrever biografias romanceadas. Não deixam de ser fiéis à realidade, mas dão um grande espaço à imaginação do leitor que, ao ler, se sente transportado para aqueles momentos com aquela personagem.

E porque Amália Rodrigues?
Justamente porque há muita coisa sobre Amália, mas não há um romance biográfico sobre ela.

Aquando da pesquisa, o que mais a surpreendeu? Ficou surpresa com algum dado em concreto?
Sim, fiquei e, de alguma forma, ainda não me recuperei. Continuo a achar incrível como a nossa figura mais amada continua tão desconhecida. A maioria dos portugueses não faz ideia que Amália era já um sucesso no estrangeiro nos anos 40.

Acredita que hoje conhece ao pormenor Amália Rodrigues? Conseguiria ser sua amiga, por exemplo?
Essas duas questões são muito difíceis de responder. Primeiro, é minha convicção de que nunca se conhece ao pormenor ninguém, mesmo quando acreditamos conhecer. Depois, a amizade é como o amor, tem de haver uma química. Saber tudo aquilo que sei acerca de Amália não me garante que existiria a tal faísca entre nós de forma a tornarmo-nos amigas de verdade.

Como definiria Amália Rodrigues?
Uma mulher com um enorme medo da solidão e com inteligência e sensibilidade profundas.

Havia uma Amália fadista e uma Amália mulher?
Isso penso que terá sempre de existir em qualquer artista.

Essa diferença era pensada ou intuitiva?
Penso que a divisão entre o ser humano e o artista será intuitiva, tanto no caso dela quanto no de qualquer artista.

O seu livro levanta dados novos ainda desconhecidos pela opinião pública sobre a vida de Amália?
Acredito que sim, mas não posso revelá-los, pois isso poderia fazer perder o encanto da descoberta durante a leitura do romance.

Na sua opinião, a vida de Amália, em termos globais, foi uma vida de glamour ou de sofrimento?
Não pode ser de ambos? Se pensarmos nas jóias bonitas que tinha, nos seus vestidos de infanta, como lhes chamavam, nas paixões que despertou e nos lugares importantíssimos onde actuou, isso é glamour. Mas o seu medo da solidão, a insatisfação pela sua vida que sentia não comandar e uma tristeza que não compreendia exactamente a razão, isso é sofrimento. Por isso penso que, em termos globais, a sua vida foi de glamour e de sofrimento. Nos últimos anos da sua vida o glamour desapareceu e ficou apenas a tristeza e uma saudade imensa do que vivera.

Por fim, Amália Rodrigues foi uma mulher feliz?
Não foi uma mulher feliz, mas era uma pessoa alegre. A própria via-se assim.

Publicado em 1 Outubro 2012

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